Um espaço para se escrever por tudo e por nada. Por tudo o que há para dizer e que nada fique por escrever.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
chocochoc
Não comi chocolate. Mas se tivesse comido acho que me ia saber a uma noite bem dormida, coisa rara nos tempos que correm. Talvez amanhã volte a comer um pedaço. Talvez amanhã a noite bem dormida chegue. É 6ª feira. Talvez façam os dois uma corrida para ver quem chega primeiro ao fim da rua. Gosto de pensar que a vida é uma rua que se deixa interceptar por muitas outras. E sonho perder a prioridade nessa rua e deixar que milhares de sensações se atravessem à minha frente, vindas da direita. Se calhar, o melhor é comer mesmo o chocolate, porque desta vez não me vai saber a noite. Desta vez, vai saber apenas a chocolate.
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Infidelidades
Qual é a palavra que mais gosto? Não sei. Sou completamente infiel. Neste momento tenho um caso com pelo menos umas mil ao mesmo tempo. E amanhã, com outras mil. Depois, logo se vê.
O dia dos namorados
Se alguém detestar tanto o dias dos namorados tanto como que detesto, por favor acuse-se. Detesto o dia dos namorados, já devem ter percebido. Detesto-o tanto como café com açúcar. O café quando se junta com o açúcar fica sem personalidade. Parece que levou um lifting para agradar não sei bem a quem. Agarra-se por todos os meios, primeiro à língua, depois pela garganta, até encontrar o estômago. E aí já não ter qualquer hipótese de voltar a ser café puro. O dia dos namorados parece café com açúcar. Risadinhas parvas, abraços escondidos quando abre a porta do elevador, cruzando olhares ainda mais parvos com quem tenta entrar, flores ridículas que passam de mão em mão, menus especiais (há o menu docinho, o menu Valentim – em letra maiúscula por respeito ao Santo, o menu do amor, o menu dos 5 sentidos, o menu para dois – ou para três, dependendo do grau de instrução e de abertura de mente do casalinho, o menu pôr-do-sol, o menu Ao Luar, o menu enfim sós, o menu heart attack, o menu honey bunnie, o menu my darling, o menu I wanna be kissed by you, enfim...).
Especialmente este dia dos namorados foi-me particularmente penoso. Até uma flor, sem culpa nenhuma, me veio parar à mão, como se eu tivesse a obrigação de a ter comprado e oferecido a alguém. Neste dia tudo tem um ar meloso que parece estar ali por acaso. Como se nos outros dias esse ar possa estar completamente alheado e ninguém acha estranho. Discutir, estalar a namorada ou namorado num dia qualquer tudo bem, desde que a 14 de Fevereiro ande toda a gente aos xoxos e em jantares pseudo-românticos, com velinhas e tudo. Detesto o dia dos namorados e nem sequer tem a ver com visões mercantilistas. Detesto-o porque tudo me soa a falso e sem a mínima graça. Para além de que já não se suportam tantos corações voadores que aterram em montras totalmente desesperadas esperando que algum rapazinho ou rapariguinha repare nelas. Bem, já disse que detesto o dia dos namorados, mas ainda consigo detestar mais um risotto que cozeu demais.
Especialmente este dia dos namorados foi-me particularmente penoso. Até uma flor, sem culpa nenhuma, me veio parar à mão, como se eu tivesse a obrigação de a ter comprado e oferecido a alguém. Neste dia tudo tem um ar meloso que parece estar ali por acaso. Como se nos outros dias esse ar possa estar completamente alheado e ninguém acha estranho. Discutir, estalar a namorada ou namorado num dia qualquer tudo bem, desde que a 14 de Fevereiro ande toda a gente aos xoxos e em jantares pseudo-românticos, com velinhas e tudo. Detesto o dia dos namorados e nem sequer tem a ver com visões mercantilistas. Detesto-o porque tudo me soa a falso e sem a mínima graça. Para além de que já não se suportam tantos corações voadores que aterram em montras totalmente desesperadas esperando que algum rapazinho ou rapariguinha repare nelas. Bem, já disse que detesto o dia dos namorados, mas ainda consigo detestar mais um risotto que cozeu demais.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Aspirações - cap.I
Hoje acordei e pensei que era um aspirador. Só me apetecia aspirar tudo o que estava à minha volta. Mas no fundo não queria aspirar uma coisa qualquer. ‘Hoje vou aspirar tudo o que está a mais no mundo.’, pensei. Mas, pelo caminho não resisti a um pequeno e insignificante grão de pó que teimava em permanecer imóvel na minha mesa de cabeceira, mesmo no ponto de intercepção onde fazia o seu ângulo recto. Não esperei mais e, de uma vez, aspirei-o. Adeus insignificância de pó. Menos uma coisa a mais neste mundo. A seguir, levantei-me lentamente, como quem tem toneladas de chumbo a povoarem as frontes, pois a noite anterior não tinha sido coisa fácil. Nessa altura pensava que era um telefone, mas isso é outra história.
Já sentado na cama, olhei em frente e, pelas frestas da janela, consegui ver um pouco do sol que cobria este dia estranhamente especial. Aproximei-me da janela, afastando um cortinado velho e pesado que tinha herdado do inquilino anterior, um senhor de alguma idade que, tal como eu, apreciava a solidão. Mas apreciava-a de tal forma que passou vários meses encarcerado nele mesmo. Num belo, dia, resolveu ir à rua e, como já não estava habituado a tamanha aventura, esbarrou de frente com um eléctrico. Parece que ficou ali estendido no meio dos carris, com os dois olhos muito abertos, à espera que alguém os fosse fechar. O eléctrico, esse continuou na linha, depois de um retoque na grelha e uma demão de amarelo.
O cortinado velho e pesado, bem que eu o podia aspirar, porque me estava a impedir de ver melhor o sol desse dia. Mas, como não tinha comido ainda, ia ser difícil puxá-lo todo para dentro. Um aspirador não é uma piton. Por isso, primeiro para a esquerda e depois para a direita, arrastei-o a grande custo. Logo aí o Sol invadiu-me de alto a baixo. Tapei a cara, um pouco por vergonha, perante tal invasão. ‘Se fosses um daqueles políticos reles que ganham a vida a vender promessas, bem que te aspirava de uma vez’. E não custava nada, porque um político desses, bem escorrido, não me enchia nem meio depósito. Mas, como era o Sol não o podia aspirar porque fazia falta a este mundo. E se este mundo já tem noite que chegue. Quando me consegui pôr de lado, e ficar apenas com a invasão a meio, reparei em algo que, definitivamente, queria, devia e ia aspirar, nem que tivesse que mudar o saco a meio.
Fixei-me nele.
Já sentado na cama, olhei em frente e, pelas frestas da janela, consegui ver um pouco do sol que cobria este dia estranhamente especial. Aproximei-me da janela, afastando um cortinado velho e pesado que tinha herdado do inquilino anterior, um senhor de alguma idade que, tal como eu, apreciava a solidão. Mas apreciava-a de tal forma que passou vários meses encarcerado nele mesmo. Num belo, dia, resolveu ir à rua e, como já não estava habituado a tamanha aventura, esbarrou de frente com um eléctrico. Parece que ficou ali estendido no meio dos carris, com os dois olhos muito abertos, à espera que alguém os fosse fechar. O eléctrico, esse continuou na linha, depois de um retoque na grelha e uma demão de amarelo.
O cortinado velho e pesado, bem que eu o podia aspirar, porque me estava a impedir de ver melhor o sol desse dia. Mas, como não tinha comido ainda, ia ser difícil puxá-lo todo para dentro. Um aspirador não é uma piton. Por isso, primeiro para a esquerda e depois para a direita, arrastei-o a grande custo. Logo aí o Sol invadiu-me de alto a baixo. Tapei a cara, um pouco por vergonha, perante tal invasão. ‘Se fosses um daqueles políticos reles que ganham a vida a vender promessas, bem que te aspirava de uma vez’. E não custava nada, porque um político desses, bem escorrido, não me enchia nem meio depósito. Mas, como era o Sol não o podia aspirar porque fazia falta a este mundo. E se este mundo já tem noite que chegue. Quando me consegui pôr de lado, e ficar apenas com a invasão a meio, reparei em algo que, definitivamente, queria, devia e ia aspirar, nem que tivesse que mudar o saco a meio.
Fixei-me nele.
febre abaixo dos 37º
Hoje acho que tenho febre de viver com mais intensidade. Se calhar vou esperar que a temperatura venha abaixo dos 37º. Ou talvez não.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Olhos de selva
Mais um dia em que eu tinha escolhido não ver. Não ver parecia sempre a melhor solução. E mesmo quando, de repente, o sol parecia brilhar num verde de esperança, lá voltava à escuridão da ignorância. Como é confortável não saber. Não querer saber. Mesmo quando a sombra da minha consciência, que aparecia de uma forma absolutamente antibiótica 4 vezes ao dia, a opção era sempre buscar a escuridão. Mais vale sózinho que muito mal acompanhado. São coisas que a vida, quando tem tempo, nos ensina. No outro dia, para ver se combatia essa solidão, comprei uma pequena árvore. Mas 'pequena' e ´árvore' são duas palavras que não combinam. Uma árvore tem que ser grande, imponente, antiga. Por isso, para lhe gerir a carreira, fui colocá-la ao pé da janela para ela realizar a fotossíntese. E ela cresceu, cresceu, cresceu. Para cima, para os lados e até para trás. Eu não conseguia ver nada dentro desta selva em que se transformou a minha casa. E também não me importava.
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