Um espaço para se escrever por tudo e por nada. Por tudo o que há para dizer e que nada fique por escrever.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
febre abaixo dos 37º
Hoje acho que tenho febre de viver com mais intensidade. Se calhar vou esperar que a temperatura venha abaixo dos 37º. Ou talvez não.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Olhos de selva
Mais um dia em que eu tinha escolhido não ver. Não ver parecia sempre a melhor solução. E mesmo quando, de repente, o sol parecia brilhar num verde de esperança, lá voltava à escuridão da ignorância. Como é confortável não saber. Não querer saber. Mesmo quando a sombra da minha consciência, que aparecia de uma forma absolutamente antibiótica 4 vezes ao dia, a opção era sempre buscar a escuridão. Mais vale sózinho que muito mal acompanhado. São coisas que a vida, quando tem tempo, nos ensina. No outro dia, para ver se combatia essa solidão, comprei uma pequena árvore. Mas 'pequena' e ´árvore' são duas palavras que não combinam. Uma árvore tem que ser grande, imponente, antiga. Por isso, para lhe gerir a carreira, fui colocá-la ao pé da janela para ela realizar a fotossíntese. E ela cresceu, cresceu, cresceu. Para cima, para os lados e até para trás. Eu não conseguia ver nada dentro desta selva em que se transformou a minha casa. E também não me importava.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
10 gramas de beleza.
Era uma vez uma gata. Tão abelhuda, quanto bela. Nessa tarde, o seu coração batita, batia, batia, com um ritmo tão alucinante que parecia não parar nunca. Ela também não queria que parasse, na realidade. Alguém lhe havia roubado dez gramas de beleza. Por isso, por mais que tentasse aquilo não lhe saía da cabeça. Não conseguia estar sossegada. ‘Quem terá sido? Quem terá cometido tamanha desfaçatez?’, perguntou-se a gata milhares de vezes. Pouco depois, recebeu a notícia que o peixe tinha acabado. Logo hoje. Duas coisas no mesmo dia: menos beleza e menos peixe. E aquele salmãozinho tão fresquinho! É melhor que pôr kiwis nos olhos. E foi então que decidiu fazer um lifting e uma cirúrgia estética que é como quem diz, uma plástica. Mas primeiro passou pelo oculista e comprou duas lentes de contacto bem azuis. Quando tudo parecia encarreirar, eis que a sua senhora parecia endoidar: a dançar em sutiã em frente ao besuntoso do segundo andar. ‘Vou-me mas é esconder atrás do espelho, não vá levar com o sutiã, que a bem dizer não me serve de nada, ou com umas boxer em cima. Ai, Deus me livre, boxer não que é cão, ainda se fosse um persa. Mas que se mexesse que os mansos não me levam a lado nenhum.’ Mas, a surpresa estava para vir. Qual sutiã, qual boxer, o que lhe caiu em cima foi o jovem felino do besuntoso que também tinha vindo à festa, para não ficar sózinho. E se era assanhado o menino. O que é certo é que a gata quando se olhou de novo ao espelho nunca mais se lembrou que lhe tinham roubado as dez gramas de beleza.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Uma folha em branco.
Perante uma folha em branco, tudo pode acontecer. Perante uma folha em branco, bloqueio. Dou voltas. Grito. Normalmente elouqueço. Depois volto a mim. Volto a elouquecer. Acrescentar algo a uma folha em branco é o maior desafio que se pode vencer. Não sei se é da cor ou do medo. Do medo de criar alguma coisa que só tem um admirador. Eu.
O Assassínio de K.
O quarto do primeiro andar estava escuro. A criança dormia já fazia alguns minutos. O poster do Homem-Aranha, colado com pedaços desiguais de fita gomada, protegia o seu sono pueril. Em frente, um Noddy passado do prazo resignava-se com o seu estado jurássico. No chão, alguns carros estacionados fora da garagem, ao lado de um Action Man e uma Tartaruga Ninja. Só se ouvia o som do silêncio da noite. A lua observava de longe, como de costume, iluminando o caminho. Tinha chegado a hora. O Ken tem que morrer. Vou-lhe partir aqueles biceps de plástico ordinário. Benjamim respirou fundo. Pegou nos chupa-chupas pneumáticos e aproximou-se deles. Barbie dormia com dois kiwis nos olhos por causa de duas teimosas rugas que só ela conseguia ver. Ken ressonava alarvemente. ‘Ainda ressonas, fanfarrão? Nem imaginas como vou acabar com essa tua vida insignificante de plástico chinês.’ Nisto, ergueu as armas. Mas quando ia esmagar aquele que considerava o seu adversário, um pesadelo ali perto desperta Barbie. Benjamim hesita e esconde as armas atrás das costas. Barbie assustada e surpresa por ver Benjamim ali tão perto. pergunta-lhe bruscamente ‘Que fazes aqui?’ ‘Ouvi-te agitada e trouxe-te algo para ficares mais calma’, estendendo-lhe os chupas. Com desdém, Barbie aceita-os e leva-os à boca. ‘Detesto ananás, como te atreves? Vai-te inútil!!’ E volta a dormir. De lágrimas nos olhos, Benjamim volta ao seu espaço, inundado pela raiva. Pouco depois, regressa com novo chupa.’Barbie, acorda!’ ‘Tu outra vez!’?’ Trouxe de morango, vês?’ ‘Ah, finalmente acertaste em alguma coisa. Vai, agora podes ir.’ Barbie provou o doce sabor do morango que lhe ia tirar a vida.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Fazer vaquinhas.
No outro dia conheci uma vaca que vivia a crédito. Para produzir leite pediu um empréstimo. Para tirar o leite pediu um empréstimo. Para o embalar pediu um empréstimo. Depois, percebeu que nem sequer era vaca leiteira. Talvez, na melhor das hipóteses, uma intermediária. Nos dias seguintes ainda tentou pedir mais um empréstimo para pagar os outros, mas não conseguiu porque lhe disseram que não tinha ‘futuros’. Nem expectativas nem garantias bancárias. Como tinha perdido o emprego como intermediária, ofereceu-se para modelo, daquelas que estão quietas e muito nuas para serem pintadas pelos meninos e meninas que tiram cursos para saberem pintar melhor. Mas, como era um bocado tímida queria sempre tapar as indecências, coisa que não era permitida. ‘Isto aqui é como a Bolsa de hoje em dia, minha querida. Tudo para baixo.’ Talvez um dia quando acabar a crise possa voltar a ser uma simples vaca, mas continuará a não ter nem dinheiro e, ‘futuros’, quem sabe?.
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