sábado, 18 de outubro de 2008

Escrever bem.

Escrever bem? Não sei o que é. Uns dizem que o Miguel Sousa Tavares escreve bem. Outros, ou os mesmo, dizem que o Saramago escreve mal. Nem sei quais são os critérios. Será seguir regras gramaticais? Sujeito, predicado, complementos. Tudo bate certo com tudo. Se calhar demasiado certo. E dá sempre resto zero. Gosto de ler uns. Não gosto de ler outros. Escrever bem, não sei o que é.

Feelings

A indiferença mata. Eu tenho terror da indiferença. Muitas vezes, acho que o amor foi de férias. Não sei, se calhar hibernou. A amizade devia ser como os antibióticos. Devia-se tomar, pelo menos de oito em oito horas. O amor é como a amizade. Mas com sal e pimenta.
Onde há incompreensão os extremos não se atraem. Repelem-se. Desequilibram-se. Se a cumplicidade é algo de bom, porque é que ter um cúmplice é sempre mau?

Acerca das flores

Quero que as flores se vistam de flores
Quero que as flores invadam a Terra
As flores são as palavras sem palavras
As flores são olhos que se olham nos olhos
Há flores que são tudo
Há flores que são nada
As flores são assim.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Metrónomo

Na cozinha os pingos caíam suiçamente. Ping, ping. Sempre à mesma hora, minuto, segundo. Na sala, uma caneta escrevia palavras que pareciam iguais linha após linha. Na televisão, as notícias repetiam-se em caracol. Um relógio, na parede, estava certo, segundo sim, segundo sim. Os Supertramp nunca se enganavam, tocando no estéreo do canto. A menina, sabe-se lá onde, dava estalidos com a boca, sempre na mesma frequência. Numa mesa, bola-ping, bola-pong. Eu cheguei e parti a porcelana toda. Depois, o meu cérebro desligou-se.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

A brincar, a brincar…

‘Pequeninos poemas de Shirasu escritos a pensar ou a brincar.’ Aqui há tempo li esta frase num jornal diário e achei-lhe piada. Não que me tenha deitado no chão à gargalhada, mas sim porque encontrei algo em que acredito, e levou-me a esboçar um sorriso daqueles. Daqueles que às vezes nos acontecem, quando o acaso encontra a verdade, e ficam felizes para sempre. E assim foi. Coisas feitas a pensar ou a brincar. Pois, voto nas duas. Pensar e brincar são duas coisas que deveriam andar sempre lado a lado, cruzando-se várias vezes ao dia. Se eu quiser chegar a algum lado a pensar, convém que eu consiga brincar. Brincar significar libertar-me para conseguir pensar. Que é como quem diz, pensar sem barreiras. É cortar de vez com as amarras que para aí existem impunemente, sempre afirmadas e reafirmadas pelo arautos da verdade. Em nome da verdade, por favor não brincar. Apenas pensar. Eu pessoalmente continuo a adorar as duas. Mas primeiro venha a brincadeira. É que quanto mais brinco, mais penso, mas nem sempre quanto mais penso, mais brinco. A coisa é mesmo assim. Penso, logo brinco ou será antes, brinco, logo penso?

O amor de futebol ou o futebol de amor?

Hoje apetece-me falar sobre futebol. Não do meu Sporting em particular, mas do tema em si. Como também gosto de amor, acho que vou juntar as duas coisas. Aliás, acho que o futebol e o amor são exactamente a mesma coisa, com pequeníssimas diferenças. E muitas coisas parecidas, também. No futebol cada vez que se marca um golo, a paixão aumenta. No amor também. No futebol cada vez que alguém falha, chamam-se nomes. No amor também. Quando o árbitro erra, chamam logo nomes à mãe. No amor inevitavelmente também. No futebol, quando se troca de clube é-se logo traidor e outras coisas carinhosas. No amor nem se fala. Só de pensar já há traição. No futebol, quando se joga directo, o meio-campo fica a ver navios. No amor, quando não há preliminares, ou se é adolescente ou foi comprado. No futebol, quando não se vai aos treinos não se joga bem. No amor, não ir aos treinos é andar sempre com dor de cabeça. No futebol quem não marca, sofre. No amor é igual. O futebol e o amor são iguais.
Apenas com uma diferença: a paixão no futebol é para toda a vida. No amor, nem por isso.

Muda o script

Se tivesse de escrever sobre o dia de hoje, tirando o rescaldo de quando alguma equipa portuguesa ganha aos estrangeiros (finalmente ficamos à frente de alguém), não se regista nada de muito interessante. Ou se fala de crise ou se fala da crise. E, não será por acaso que quando a crise começou, a onda de crimes se tornou, diria, menos viva. Mas, deixemos este tema para outro dia. Assim, se não há nada de interessante para se falar e escrever sobre, então fale-se de política. Pois bem, hoje tive a sensação que vi um político realmente interessado em dois ou três problemas da nação. E quando o vi, acho que estava com a cassete desligada, porque não estava contra os outros partidos. Estava mesmo a tentar perceber a raíz do problema. Se fosse o Pacheco Pereira diria ‘essa sim é a questão essencial’. Bom, mas voltando à raíz do problema, deparo-me logo com duas coisas importantes: a raíz, que como se sabe tem a sua na sua, e portanto, está lá para baixo. E o problema, que como todos sabemos vem sempre no lugar do desafio e, muito atrás da solução. Porque se quer ser reconhecido e valorizado, há que ser problema. É que ser solução é uma coisa um bocado burguesa. Quem tem problemas é gente. Quem tem soluções é burguês. Faz sentido? Talvez nem tanto, mas também os Estados Unidos invadiram o Iraque à procura de bombas de mau cheiro e toda a gente achou que fazia sentido. Os gajos vão lá e acabam com aquilo num instante e ainda vêm passar o Natal a casa. Só não sabiam era de que ano. E também me tinha esquecido que eles já tinham o Vietname no CV e a coisa não tinha corrido por aí além. Ainda hoje o Chuck Norris aparece, de vez em quando, como a Música no Coração no dia de Natal. Mas o que é certo é que agora até vão mudar de Presidente e andam todos atarefados. Vai mudar o script.